O aumento dos cristãos no Vietnã foi mapeado pela revista World, que afirma o fato de que a liberdade religiosa desfrutada por quem mora na cidade está em forte contraste com os da zona rural do país.

O catolicismo tem uma história secular no Vietnã e as igrejas protestantes se espalharam no último século. Quando o governo comunista assumiu o poder no Vietnã do Sul em 1974 igrejas e escolas cristãs foram fechadas e missionários estrangeiros forçados a deixar o país.

Nas cidades, igrejas protestantes prosperam graças ao país ter se aberto para o oeste desde 1980, segundo a revista. Em 2001, o governo reconheceu oficialmente a independência da Igreja Evangélica do Vietnã (ECVN) e encorajou o ramo. Posteriormente, então, formou-se a Sociedade Evangélica do Vietnam, divergindo da ECVN.

Mas a história é diferente nas zonas rurais, especialmente em regiões montanhosas, onde grupos étnicos minoritários compõem 75 por cento dos cristãos do Vietnã.

O grupo étnico com o maior crescimento no cristianismo é o povo hmong. No entanto, eles são vistos com desconfiança pelas autoridades locais, que lembram que os Hmong se aliaram aos EUA na Guerra do Vietnã, e existe o temor de que “uma conversão em massa a uma religião americana mobilizaria um movimento de independência Hmong”, diz a revista World.

Os Hmong continuam sendo pressionados sob o pretexto de preservar sua “cultura tradicional”. Em março, 24 cristãos hmong foram atacados por uma multidão liderada por um chefe de aldeia, querendo que eles renunciassem à sua fé.

A nova Lei sobre Religião e Crença, que entrou em vigor em 1º de janeiro, “diz respeito a grupos cristãos”, afirma a revista. Embora possa beneficiar as igrejas urbanas, “permitindo-lhes estabelecer instituições médicas, educacionais e sociais”, ela poderia ser usada para perseguir grupos cristãos em áreas remotas que as autoridades sentem “ameaçar a unidade nacional”.

“O Vietnã é um país imprevisível em relação a sua direção, sua economia, sua política e até mesmo [sua visão] da religião”, disse o pastor Huy Le, da Igreja Batista Grace, na cidade de Ho Chi Minh.

“Já vimos isso tantas vezes: olhamos para o futuro e esperamos um futuro melhor, mas de repente acontece algo que ofusca mudanças positivas”.

Enquanto isso, em uma carta aberta ao presidente francês Emmanuel Macron, antes de uma visita ao país pelo secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong, três organizações de direitos humanos pressionaram Macron a levantar questões de direitos humanos com Trong.

Os signatários da carta – Vo Van Ai, Presidente do Comitê do Vietnã sobre Direitos Humanos (VCHR); Dimitris Christopoulos, Presidente da Federação Internacional dos Direitos Humanos; e Malik Salemkour, Presidente da Liga pelos Direitos Humanos – dizem: “A repressão contra a sociedade civil no Vietnã é deliberada e bem organizada… As disposições de segurança nacional do Código Penal vagamente expressas são a espinha dorsal da repressão do governo contra os dissidentes, blogueiros, jornalistas cidadãos, defensores dos direitos humanos e membros de comunidades religiosas ‘não reconhecidas’”.

A carta faz referencia ao relatorio do VCHR, que disse que 2017 foi o ‘’Pior ano‘’ para dissidentes no Vietnã, e indica casos particulares incluindo a cristã vietnamita Maria Tran Thi Nga, presa em 2017 por compartilhar artigos online e atualmente está cumprindo nove anos, sentenciada por ‘’propaganda contra o estado’’.

A carta pede ao presidente francês que “insista que o Vietnã mantenha seu compromisso com a comunidade internacional de respeitar e assegurar os direitos humanos”.

A visita de Nguyen Phu Trong à França, de 25 a 27 de março, marca o 45º aniversário das relações diplomáticas franco-vietnamitas e o 5º aniversário da Parceria Estratégica entre a França e o Vietnã.

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Por: Redação l ANAJURE
Com informações de World Watch Monitor