Mais de 4 mil cristãos mortos em um ano
Cristãos oprimidos e discriminados no mundo. Números dramáticos no relatório anual da organização internacional “Portas Abertas/Open doors” sobre as perseguições de cristãos
Cidade do Vaticano

No ano passado, mais de 245 milhões de cristãos foram vítimas de graves perseguições em seus países. Por motivos ligados à fé foram mortas 4.305 pessoas e 3.150 foram presas, condenadas e detidas sem processo. Também foram atacadas 1.847 igrejas e edifícios cristãos.

Coreia do Norte, o país que mais persegue
São números dramáticos, em constante aumento. A pesquisa da organização internacional Portas Abertas, todo ano apresenta a chamada lista “negra” dos 50 países – em 150 controlados – onde os fiéis cristãos são mais oprimidos, vexados, discriminados, alvo de abusos e violências até serem mortos, condicionados na vida privada e pública por causa de sua crença religiosa. Totalizando, são 35 países asiáticos, 15 africanos e 2 latino-americanos.

Perseguições “extremas” em 11 países
A nação mais intransigente no plano religioso é a Coreia do Norte onde se estima que ainda estejam presos nos campos de trabalho entre 50 a 70 mil cristãos. Seguem o Afeganistão e a Somália por serem sociedades islâmicas radicalizadas e com instabilidade política endêmica. Assim como a Líbia, o Paquistão, o Sudão, a Eritreia, o Iêmen, o Irã, a Índia e a Síria. São onze países, segundo a organização Portas Abertas, onde há extrema perseguição de cristãos e de outras minorias.

Autoritarismos, nacionalismos e radicalismo islâmico
Cinco anos atrás apenas a Coreia do Norte fazia parte dessa categoria, sinal de um crescente clima de perseguição em muitas regiões do mundo. Isso deve-se principalmente aos autoritarismos estatais, ao aumento da opressão islâmica e a ascensão de nacionalismos religiosos principalmente hinduístas na Índia e budista em Myanmar. Também devem ser consideradas as oposições comunistas e pós-comunistas na China e no Vietnã e à intolerância social contra expoentes das Igrejas que desafiam a corrupção e os cartéis de drogas, como no México e na Colômbia e também nas zonas rurais por causa de antagonismos tribais.

Nigéria, massacre de cristãos
A África é o continente que mais persegue os cristãos, onde só na Nigéria concentra-se a maior parte dos cristãos mortos, só no ano passado foram 3.731. E a situação está cada vez pior na Líbia, Argélia, Egito, Tunísia, Marrocos e no Chifre da África na Etiópia e Eritreia.

Índia, ataques e agressões diárias
Na Ásia, de cada três cristãos um é perseguido. A China sobe ao 27º lugar da lista e em primeiro lugar pelo número de detentos. A Índia encontra-se no 9º lugar por causa das leis anti-conversão aprovadas em oito Estados, por isso não passa um dia – denuncia Portas Abertas – sem que um cristão ou uma igreja não sofra alguma agressão no país.

No Oriente Médio a sitação na Síria agrava continuamente assim como no Iêmen. Na Ásia central destacam-se o Uzebequistão e o Turcomenistão por ataques a igrejas e proibição de reuniões de cristãos. Também aparece em 41º lugar da lista a Federação Russa por causa de algumas leis restritivas sobre a liberdade religiosa e os ataques às igrejas em Daguestão e Tchethênia.

Não à “surdez emotiva”
Portas Abertas pede à comunidade internacional para que acolha o apelo de 245 milhões de cristãos que são perseguidos e também à opinião pública no mundo livre que tome consciência dessa tragédia: “digamos não è surdez emotiva”.

Vatican Newa