A rede de supermercados Hirota Food se envolveu esta semana, em uma polêmica criada pela militância LGBTs, por distribuir uma cartilha a seus clientes com mensagens que defendem o padrão bíblico do casamento e condenam práticas como o aborto.
Escrita pelo pastor Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana, a cartilha “Cada Dia Especial Família de 2017” apresenta 31 mensagens sobre casamento, relação entre pais e filhos e até dívidas financeiras.
O que era para ser a promoção de valores cristãos e defesa da família por parte de uma empresa privada de São Paulo, está se tornando um caso nacional de violação da liberdade de expressão e liberdade religiosa.
Quando a rede de supermercados paulista Hirota decidiu distribuir um devocional com 30 meditações escritas pelo pastor Hernandes Dias Lopes, queria promover o “Dia da Família”, comemorado em 8 de dezembro. A opção da empresa foi fazer uma edição personalizada do devocional “Cada Dia“, cujo título era “Família – Formação de virtudes”.
Após a grande repercussão do caso, o pastor Hernandes Dias Lopes se manifestou em uma nota em seu perfil no Facebook, dizendo: “Em virtude da polêmica gerada pela distribuição do devocionário de nossa autoria, pelo Super Mercado Hirota, queremos aqui declarar nossa solidariedade ao Supermercado”.
Na nota, ele destacou que era necessário esclarecer dois pontos: “Primeiro, esse livreto não é uma cartilha, conforme vem sendo divulgado na mídia, mas um devocional mensal editado pela LPC com mensagens cristãs. Segundo, nunca foi nem será nosso propósito polemizar ou atacar pessoas que pensam diferente de nós. Nosso compromisso é com os valores cristãos, conforme estabelecidos na Palavra de Deus, nossa única regra de fé e de prática”.
Ministério Público
Com a polêmica criada, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo emitiram na sexta-feira, 22, uma notificação para que a rede de supermercados Hirota suspenda a distribuição de uma cartilha considerada discriminatória.
Os órgãos exigem que as cartilhas já distribuídas sejam retiradas de circulação e que a empresa “se abstenha de produzir materiais com conteúdo discriminatório ou que os divulgue nas lojas de sua rede e em sua homepage, pela internet ou redes sociais.”
A notificação ainda pede que seja assegurados a igualdade entre mulheres e homens no ambiente de trabalho e o respeito à liberdade de religião, credo, de gênero e orientação sexual. Os órgãos afirmam que a cartilha submete a constrangimento trabalhadores da rede de supermercados, que são “obrigados a distribuir o material de conteúdo discriminatório.”
Caso as recomendações não sejam cumpridas, os órgãos informam que adotarão medidas judiciais.
Procurada nesta sexta-feira, 22, a rede Hirota Food Supermercados disse que não foi informada da notificação e que as cartilhas não estão mais em circulação. Segundo o supermercado, o material foi distribuído na primeira quinzena deste mês. A empresa pediu desculpas e lamentou os transtornos causados pela cartilha.
“O Hirota Food Supermercados lamenta qualquer transtorno que tenha causado pela distribuição da cartilha da família. Reiteramos que em momento algum tivemos a intenção de polemizar, ofender ou discriminar qualquer forma de amor. Em nossos valores não há nenhum tipo de preconceito em relação a gênero, religião ou raça. Atendemos todas as famílias da mesma forma, com a mesma humildade e carinho. Nossas sinceras desculpas a todos”, disse a empresa.